sexta-feira, 9 de maio de 2014

Terceira edição já chegou!






Acaba de sair da gráfica a terceira edição de Prepare as crianças para o mundo.

Quentinha :-)

Para um livro que não se vende em livrarias, cada nova edição tem um sabor especial de realização, vem com ainda mais valor. Mostra que a obra cumpre seu papel de atender às expectativas e necessidades do leitor, e que ele mesmo cuida de divulgá-la em sua rede.

Além do respeito e do apoio do público, Prepare as crianças para o mundo vem trazendo o respaldo crescente de pessoas reconhecidas pela competência e pela lucidez.

Três dessas personalidades tiveram resumos de seus comentários adicionados à contracapa desta terceira edição: o escritor e colunista Zuenir Ventura, a educadora Guiomar Namo de Mello, presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, e o psicanalista, escritor e colunista Contardo Calligaris.

Para dar forma e fazer este livro chegar às mãos do leitor, muitas pessoas trabalharam duro. Portanto, aqui vai nosso agradecimento a:

Luciana Pereira Alencar (Lulu Alencar)
Kleber Campelo
Maria do Carmo Oliveira
Paulo Fernando Rojas Moreno
Marcos Jora
Breno Tumani
Aldo Mich
Valdimi
Cleverson
Elaine
Joilda Magna
Maria José
Gleice Lima
Thaina Ribeiro
Jessica Marcela
Carina Serrano
Rafael Vitzel
Leonardo Stock
Victor de Almeida
Carolina Sousa

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Digite 100 para proteger crianças




É possível fazer algo simples para ajudar crianças que estão nas ruas sendo exploradas e sofrendo abusos. Em vez de engolir a indignação e desanimar com o tamanho do problema, você pode digitar no seu celular o número 100 e relatar situações que tenha presenciado, como a dos meninos na esquina pedindo trocados ou a das meninas abordadas por adultos na gringolândia da sua cidade.

É um alento para pais que se importam com quem não tem pais.

Funciona assim: você liga para o Disque 100, uma gravação atende, toca a musiquinha e um operador entra em seguida para ouvir seu relato, perguntando detalhes e registrando tudo. Não precisa se identificar, se não quiser. A denúncia vai ser encaminhada à autoridade encarregada daquele tipo de problema, naquele Estado e naquele município. O Disque 100 promete informar em três dias as providências tomadas em relação à sua denúncia.

É claro que a linha pode estar ocupada e a musiquinha de espera pode ser longa, mas isso custa pouco se comparado a não fazer nada. É claro, também, que não vai pousar nenhum helicóptero da polícia para salvar as crianças ali na sua frente. O mais provável é que as autoridades agora não consigam ir além do manjado aumento-do-patrulhamento, na semana seguinte, mas já é alguma coisa.

No médio e no longo prazos, um número crescente de ligações pode pressionar o Poder Público a tomar medidas com maior inteligência e eficácia. No mínimo, essa é uma forma de a sociedade dizer que queremos cuidar das nossas crianças.

Há muitas delas literalmente abandonadas, o que quase sempre significa serem subjugadas por adultos. O lado mais tétrico desse problema são o tráfico de crianças, o abuso sexual e a exploração sexual. Para gente minimamente normal, pensar nisso é tão repulsivo que damos um jeito de mudar de assunto. Mas não precisamos mergulhar nessas trevas, basta observar o que salta aos olhos.

Situações a serem relatadas são, por exemplo, a da garota junto à janela do carro conversando com o motorista e entrando no veículo, ou a daqueles marmanjos levando papos com meninos e meninas em praças, calçadões e bares. É fácil ver nas ruas crianças em situações em que a disponibilidade é evidente.

“Recentemente vi num bar na Lapa (Rio) uma mesa com quatro estrangeiros e quatro meninas brasileiras. Ninguém vai com criança para um bar, só se for em família”, explica Ana Cristina Silva, da Rede Criança, ONG que combate a violência contra crianças e adolescentes. “Em qualquer lugar a violação de direitos acontece.”

Ter dúvida sobre uma determinada situação não é problema. Se aqueles homens e aquelas meninas à mesa do bar são parentes ou não, isso é assunto para as autoridades. As denúncias ao Disque 100 são checadas, e o cidadão que liga pode deixar claro que não tem certeza de se tratar de uma violação. “Diga que você tem uma suspeita”, orienta Ana Cristina.

Ninguém precisa correr riscos, tipo sacar o celular diante da cena, com cara de estou-te-denunciando ou se disfarçando de agente secreto. Escolha um momento seguro, ligue e relate tudo o que viu, com todos os detalhes que lembrar - principalmente sobre a localização.

Se a situação for considerada emergencial, o pessoal do Disque 100 aciona diretamente a polícia. Pela experiência, Ana Cristina calcula que leve “umas duas horas” para que cheguem ao local. É tempo mais que suficiente para você decidir se quer ficar para ver a ação policial.

Estrangeiros que vêm para a Copa também terão a chance de mostrar que não praticam nem apoiam o assédio às crianças brasileiras. Como são frequentadores naturais das gringolândias, eles têm grande probabilidade de presenciar situações de violação, e podem também denunciar. Nos aeroportos, ao passar pela Imigração, deverão receber material com instruções sobre o Disque 100.

A Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, que coordena o Disque 100, reuniu no final de março 26 representações diplomáticas em Brasília para cobrar seu envolvimento no esforço de proteção às crianças. “Todos foram muito receptivos e muitas embaixadas se dispuseram a traduzir material para turistas de seus países, alertando-os que serão responsabilizados em caso de violação e orientando-os a fazer denúncias”, conta Marcelo Nascimento, representante da Secretaria.

David Moisés

sábado, 12 de abril de 2014

Figurinhas: você pode trocar muitas com seu filho




Saiu o álbum de figurinhas da Copa e você já sabe disso, claro. Quem tem filhos integra a população que vive sazonalmente a inundação de pedidos para ir à banca da esquina. Vale a pena viver essa experiência com a molecada. São fortes emoções, diversos conflitos e sentimentos que constituem matéria-prima para viver a vida. Se os pequenos tiverem o suporte dos adultos, melhor ainda.

Para isso, é legal lembrar algumas coisas importantes para eles que estão em jogo nessa caçada à cobiçada figurinha brilhante.

A capacidade de esperar para ganhar, para saciar uma vontade, é quase sempre a primeira a ser desafiada. Portanto, é a primeira grande oportunidade para aprender a dar conta dessa coisa angustiante que a vida impõe a todos. De olho nessa necessidade dos pequenos, os pais podem decidir como e quando comprar um álbum, quando e quantos pacotes de figurinhas serão comprados de cada vez.

Esperar para receber o álbum, esperar para comprar as próximas figurinha, esperar para chegar em casa e colar nas páginas com capricho, tudo isso permite experimentar um estado (mais que uma simples ideia) de que algo bom está em curso e vai se estender. Os adultos podem ajudar as crianças a suportar aquela sensação aflitiva da espera. Podem dar apoio e colo, dizer que compreendem e também sentem aquilo nessas situações. E podem se esforçar para não sucumbir à agonia dos filhos, não comprando a banca inteira nem tachando-os de “ansiosos” quando estão apenas trabalhando com seus sentimentos mais crus, encontrando lugares internos para eles e aprendendo a viver o que é bom.

Lidar com sensações e sentimentos contraditórios é outra experiência valiosa para as crianças. Uma montanha-russa de conquistas, frustrações, vitórias, derrotas, inveja, solidariedade etc é percorrida no convívio com os irmãos, primos e colegas que se comparam, competem, se ajudam, trocam, trapaceiam, perdem de bobeira, jogam bafo… Experimentar sensações opostas ao mesmo tempo é, em si, muito enriquecedor. São momentos em que a compreensão se aprofunda. Para o molecada, é também uma chance de perceber a mudança de estados de humor entre os colegas, que ora têm mais, ora têm menos figurinhas.

Dá para os pequenos compartilharem essas impressões e sensações, dá para conhecerem maneiras diferentes que cada um tem de batalhar, suportar as esperas e frustrações, curtir. É um cenário interessante em que eles precisam se manter por algum tempo num clima de algo-completo e algo-faltando. E podem ter o prazer daquela figurinha suada, conquistada, com história, podem se confrontar com as neuras das outras crianças, com a atitude daqueles que dão aos colegas as figurinhas que sobram, com a vontade de não dar as suas a ninguém, com a superioridade do primo no bafo, com a falta de grana do amigo (ou sua) para completar o álbum...

Experimentar no mundo real esse choque entre vontades e restrições ajuda a perceber que as circunstâncias da própria vida podem dar um grande barato, que coisas legais também acontecem à revelia, que o controle não é a chave do negócio. Tudo isso é intenso, e o apoio dos adultos faz toda a diferença para determinar se o álbum estará completo tão logo o último lote de figurinhas chegue às bancas, ou se a aventura vai rolar de modo mais cadenciado. O importante é perceber como as crianças estão conseguindo processar as sensações, pensamentos e sentimentos agitados nessa maratona.

Para os pais, essa aventura é uma oportunidade de compartilhar com os filhos uma série de situações, tão diversas quanto enriquecedoras para grandes e pequenos. É claro que dá mais trabalho que liberar uma verba e ver o(s) álbum(ns) completo(s) algumas semanas depois. Mas olhinhos brilhantes valem mais que todas as figurinhas mais raras, certo?

Angela Minatti e David Moisés


Figurinhas na escola
Conte como a escola do seu filho está lidando com o assunto.
Escreva aqui ou mande e-mail para prepareomundo@gmail.com .

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pisa: Ler para as crianças rende nota melhor na escola

O exame internacional Pisa, usado para medir o desempenho de estudantes aos 15 anos de idade, avaliou pela primeira vez o impacto dos hábitos de leitura dos pais sobre a proficiência dos filhos. Os resultados confirmam, com números vistosos, o que você encontra no capítulo Como se ensina o prazer da leitura (Prepare as crianças para o mundo, pg.125). Pais que leem para seus filhos pequenos estão formando futuros adolescentes e adultos que lerão mais e melhor, com benefícios na escola e por toda a vida.

É o prazer de ler que se desenvolve quando os pais leem para suas crianças, e o Pisa agora comprova que os benefícios desta relação impactam positivamente a capacidade leitora. Em 11 diferentes países cobertos pela avaliação, os alunos de 15 anos com melhor desempenho em leitura foram aqueles que costumavam ouvir seus pais lerem para eles quando estavam ingressando na vida escolar. Esses alunos têm proficiência equivalente à de colegas que estão pelo menos uma série acima.

O impacto é evidente seja qual for a faixa sócio-econômica. Ou seja, alunos de classe média com esse bom histórico de leitura familiar na infância chegam a ter mais de um ano de vantagem sobre alunos de classe média sem esse histórico. Nova Zelândia e Alemanha são destaque quanto ao impacto positivo na pontuação dos estudantes.

Questionários foram aplicados em 12 países, em 2009, e os resultados acabaram de ser publicados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) no estudo Let’s read them a story! - The parent factor in education. Alemanha, China (Hong Kong e Macao), Coreia, Croácia, Dinamarca, Hungria, Itália, Katar, Lituânia, Nova Zelândia, Panamá e Portugal tiveram estudantes avaliados. Lituânia deu resultados destoantes, mas o estudo não traz explicações para isso.

Contar e cantar

Os dados do Pisa mostram também a maior proficiência em leitura de estudantes cujos pais contavam histórias (mesmo sem lê-las) e cantavam. Já os que optavam por jogos e brincadeiras com palavras e letras isoladas, não tiveram tanto sucesso. Faz sentido: na leitura, na cantação e na contação de histórias há um tipo de prazer que os pais vivem com os filhos, e essa experiência é poderosa.

Agora, com 15 anos de idade, os estudantes líderes em capacidade de leitura e leitura por prazer ainda são impactados pelos hábitos dos pais. Os adultos que conversam mais com seus filhos sobre questões da atualidade, inclusive políticas e econômicas, são os que mais contribuem com a sua proficiência, segundo o estudo.

Mas não adianta criar uma agenda de temas e discussões com fins pedagógicos, ok? O que conta é o interesse genuíno dos pais pelo que sentem e o que pensam seus filhos. É daí que vêm as conversas realmente interessantes, que ajudam os adolescentes a construir seu próprio espaço no mundo. E também a ir melhor na escola, segundo o Pisa.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Comercial da Volks ensina como não ser um pai

Cuidado com Porta da Escola, filme da nova campanha publicitária do Volkswagen Space Cross. É um daqueles que deviam vir com tarja de advertência, não para o produto, mas para a mensagem do próprio comercial.

O paizão modernoso não suporta que o filho de 12-13 anos faça o que todo garoto de 12-13 anos faz: pedir pra não pagar mico ao ser deixado na porta da escola. "Pai, não precisa parar na porta da escola, não. Aqui tá bom", diz o menino.

O pai-garotão, cara de rallyzeiro e baladeiro, desce o nível: "Cê sabe surfar?... Sabe tocar guitarra?... Já pegou alguma garota?..." Ao que o menino responde "não", constrangido com a verdade de seus poucos anos, já naturalmente incômoda e, por vezes, dolorosa.

O golpe final do pai-amigo que virou inimigo vem numa sentença: "Então desculpa, mas se alguém tinha que ter vergonha de alguém aqui, era eu, né?"

São poucos segundos, mas é puro veneno. Cada gota da poção renderia muitas palavas de análise, mas basta aqui focar na estupidez truculenta: o pai-garotão pune com humilhação o filho garoto que busca justamente ser alguém com seus iguais na escola, começando a surfar no mundo dos adultos em construção.

Nada mais necessário para um adolescente do que colocar, por algum tempo, uma linha divisória entre o amor (que deveria ser) seguro dos pais e as novas relações que precisam rolar. Adultos torcem o nariz, esquecendo-se de que já pagaram micos e já fugiram dos micos. Tudo bem. Mas nada justifica a violência de abandonar o lugar de pai e, além disso, acrescentar uma carga de vergonha e culpa ao seu esforço legítimo de quem tenta crescer.

Marketing e publicidade são hoje formadores de cultura, orientam pensamentos e atitudes. Daí porque a campanha da Volkswagen atropela todas as preocupações e esforços pelo desenvolvimento humano, que tem na função dos pais e das famílias (seja qual for o modelo de família) um fator fundamental e estratégico para a sociedade lidar com seus grandes problemas e desafios de hoje.

Quem assiste ao comercial na TV não pode se manifestar. Mas no YouTube você pode, se quiser, "denunciar o vídeo como impróprio".

Ao clicar no botão "selecione um motivo", você não vai achar a opção mais apropriada, até porque elas são muitas. Mas talvez você possa escolher "conteúdo abominável ou repulsivo", que leva a três sub-opções bastante válidas: "estimula ódio ou violência", "abuso de indivíduos vulneráveis" e "intimidação". Também há a opção "abuso infantil".

Os criadores da campanha dirão que não há abuso nem intimidação no filme. Pode ser, mas está havendo na vida real, embalada e orientada por criativos de agências.

(com Angela Minatti)






domingo, 26 de junho de 2011

Palavra de mãe e os pavores infantis

Medo de injeção é comum, mas o garoto que se agarrava àquele corrimão não ia simplesmente tomar uma injeção; ia tirar sangue, como se diz no jargão das crianças desesperadas.

Segundo o compêndio dos pavores infantis, esta situação de emergência é daquelas em que a única saída é a fuga pura e simples.

Como estava no mezanino de um grande centro de diagnósticos, repleto de homens de branco e de preto, restava ao menino atracar-se ao corrimão com todas as forças de seus 6 anos de idade, numa potência até então desconhecida pela mãe - que já desistia de puxá-lo.

Foi quando ela percebeu que a coisa teria de acontecer pelo convencimento. "É só uma picadinha... Não dói nada! Vamos lá!"

O garoto evitava olhar na direção daquela porta entreaberta, a 23,5m de distância, atrás da qual se escondiam os instrumentos que queriam aplicar contra ele. Olhava fixo para o corrimão, concentrado em não se mover dali.

A mãe fez cara de braba, deu bronca, explicou que o médico pediu o exame de sangue, que onde-já-se-viu fazer aquilo, e se sentia ultrajada com a falta de confiança do filho.

Uma funcionária veio em seu socorro, bem treinada para situações assim: "Olha, não precisa ficar com meeeeedo", disse ela com voz trincada e tom infantil.

Como que ensaiadas, mãe e funcionária intuíram que a estratégia seria fazê-lo relaxar. "Então hoje nós não vamos fazer nada, táááá? Deixa pra amanhã. Tudo bem? Pode soltar, não fique com medo. Vamos lá que vou te dar uma bexiga de presente."

Como assim?! Se não vamos fazer nada hoje, por que ir lá?, dizia a face incrédula do menino, que ainda se ancorava nas grades do mezanino.

Por fim, restou à mãe anunciar, carrancuda, que iam embora. Disse convicta de que estava mesmo desistindo. E talvez por isso o pequeno tenha, enfim, largado o corrimão, pondo-se a caminho da saída.

Mas a oportunidade saltou aos olhos da mulher, que num átimo calculou o custo de sair sem o exame, voltar outro dia, convencer o filho, correr o risco de repetir a cena etc. Ágil, ela catou seu pequeno como pôde e o arrastou para o portal dos horrores.

Não foram só gritos. O choro era de súplica, medo, terror, um misto de por-favor e como-pode?...

Só quem estava lá dentro poderia contar o que foi feito para tirar o sangue do menino. Mas foi feito.

Ao deixar a sala de coleta, a mãe era doce e amável, consolando seu pequeno e puxando algum papo para animá-lo.

Ele, com um presentinho indecifrável na mão, enxugava os olhos, triste e enfurecido, e respondia à mãe com um rosnado mais pesado que qualquer palavrão.

E aí? Você faria diferente com seu filho?




segunda-feira, 4 de abril de 2011

Contardo Calligaris: "Qualquer pai adoraria ler"

Em seu Twitter, Contardo Calligaris conta que está lendo nosso livro Prepare as crianças para o mundo. "Qualquer pai adoraria ler", comenta o psicanalista, romancista, autor de teatro e colunista da Folha de S.Paulo.



Postado no Twitter em 1/4/11.