sexta-feira, 9 de maio de 2014
Terceira edição já chegou!
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Digite 100 para proteger crianças
David Moisés
sábado, 12 de abril de 2014
Figurinhas: você pode trocar muitas com seu filho
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Pisa: Ler para as crianças rende nota melhor na escola
É o prazer de ler que se desenvolve quando os pais leem para suas crianças, e o Pisa agora comprova que os benefícios desta relação impactam positivamente a capacidade leitora. Em 11 diferentes países cobertos pela avaliação, os alunos de 15 anos com melhor desempenho em leitura foram aqueles que costumavam ouvir seus pais lerem para eles quando estavam ingressando na vida escolar. Esses alunos têm proficiência equivalente à de colegas que estão pelo menos uma série acima.
O impacto é evidente seja qual for a faixa sócio-econômica. Ou seja, alunos de classe média com esse bom histórico de leitura familiar na infância chegam a ter mais de um ano de vantagem sobre alunos de classe média sem esse histórico. Nova Zelândia e Alemanha são destaque quanto ao impacto positivo na pontuação dos estudantes.
Questionários foram aplicados em 12 países, em 2009, e os resultados acabaram de ser publicados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) no estudo Let’s read them a story! - The parent factor in education. Alemanha, China (Hong Kong e Macao), Coreia, Croácia, Dinamarca, Hungria, Itália, Katar, Lituânia, Nova Zelândia, Panamá e Portugal tiveram estudantes avaliados. Lituânia deu resultados destoantes, mas o estudo não traz explicações para isso.
Contar e cantar
Os dados do Pisa mostram também a maior proficiência em leitura de estudantes cujos pais contavam histórias (mesmo sem lê-las) e cantavam. Já os que optavam por jogos e brincadeiras com palavras e letras isoladas, não tiveram tanto sucesso. Faz sentido: na leitura, na cantação e na contação de histórias há um tipo de prazer que os pais vivem com os filhos, e essa experiência é poderosa.
Agora, com 15 anos de idade, os estudantes líderes em capacidade de leitura e leitura por prazer ainda são impactados pelos hábitos dos pais. Os adultos que conversam mais com seus filhos sobre questões da atualidade, inclusive políticas e econômicas, são os que mais contribuem com a sua proficiência, segundo o estudo.
Mas não adianta criar uma agenda de temas e discussões com fins pedagógicos, ok? O que conta é o interesse genuíno dos pais pelo que sentem e o que pensam seus filhos. É daí que vêm as conversas realmente interessantes, que ajudam os adolescentes a construir seu próprio espaço no mundo. E também a ir melhor na escola, segundo o Pisa.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Comercial da Volks ensina como não ser um pai
O paizão modernoso não suporta que o filho de 12-13 anos faça o que todo garoto de 12-13 anos faz: pedir pra não pagar mico ao ser deixado na porta da escola. "Pai, não precisa parar na porta da escola, não. Aqui tá bom", diz o menino.
O pai-garotão, cara de rallyzeiro e baladeiro, desce o nível: "Cê sabe surfar?... Sabe tocar guitarra?... Já pegou alguma garota?..." Ao que o menino responde "não", constrangido com a verdade de seus poucos anos, já naturalmente incômoda e, por vezes, dolorosa.
O golpe final do pai-amigo que virou inimigo vem numa sentença: "Então desculpa, mas se alguém tinha que ter vergonha de alguém aqui, era eu, né?"
São poucos segundos, mas é puro veneno. Cada gota da poção renderia muitas palavas de análise, mas basta aqui focar na estupidez truculenta: o pai-garotão pune com humilhação o filho garoto que busca justamente ser alguém com seus iguais na escola, começando a surfar no mundo dos adultos em construção.
Nada mais necessário para um adolescente do que colocar, por algum tempo, uma linha divisória entre o amor (que deveria ser) seguro dos pais e as novas relações que precisam rolar. Adultos torcem o nariz, esquecendo-se de que já pagaram micos e já fugiram dos micos. Tudo bem. Mas nada justifica a violência de abandonar o lugar de pai e, além disso, acrescentar uma carga de vergonha e culpa ao seu esforço legítimo de quem tenta crescer.
Marketing e publicidade são hoje formadores de cultura, orientam pensamentos e atitudes. Daí porque a campanha da Volkswagen atropela todas as preocupações e esforços pelo desenvolvimento humano, que tem na função dos pais e das famílias (seja qual for o modelo de família) um fator fundamental e estratégico para a sociedade lidar com seus grandes problemas e desafios de hoje.
Quem assiste ao comercial na TV não pode se manifestar. Mas no YouTube você pode, se quiser, "denunciar o vídeo como impróprio".
Ao clicar no botão "selecione um motivo", você não vai achar a opção mais apropriada, até porque elas são muitas. Mas talvez você possa escolher "conteúdo abominável ou repulsivo", que leva a três sub-opções bastante válidas: "estimula ódio ou violência", "abuso de indivíduos vulneráveis" e "intimidação". Também há a opção "abuso infantil".
Os criadores da campanha dirão que não há abuso nem intimidação no filme. Pode ser, mas está havendo na vida real, embalada e orientada por criativos de agências.
(com Angela Minatti)
domingo, 26 de junho de 2011
Palavra de mãe e os pavores infantis
Segundo o compêndio dos pavores infantis, esta situação de emergência é daquelas em que a única saída é a fuga pura e simples.
Como estava no mezanino de um grande centro de diagnósticos, repleto de homens de branco e de preto, restava ao menino atracar-se ao corrimão com todas as forças de seus 6 anos de idade, numa potência até então desconhecida pela mãe - que já desistia de puxá-lo.
Foi quando ela percebeu que a coisa teria de acontecer pelo convencimento. "É só uma picadinha... Não dói nada! Vamos lá!"
O garoto evitava olhar na direção daquela porta entreaberta, a 23,5m de distância, atrás da qual se escondiam os instrumentos que queriam aplicar contra ele. Olhava fixo para o corrimão, concentrado em não se mover dali.
A mãe fez cara de braba, deu bronca, explicou que o médico pediu o exame de sangue, que onde-já-se-viu fazer aquilo, e se sentia ultrajada com a falta de confiança do filho.
Uma funcionária veio em seu socorro, bem treinada para situações assim: "Olha, não precisa ficar com meeeeedo", disse ela com voz trincada e tom infantil.
Como que ensaiadas, mãe e funcionária intuíram que a estratégia seria fazê-lo relaxar. "Então hoje nós não vamos fazer nada, táááá? Deixa pra amanhã. Tudo bem? Pode soltar, não fique com medo. Vamos lá que vou te dar uma bexiga de presente."
Como assim?! Se não vamos fazer nada hoje, por que ir lá?, dizia a face incrédula do menino, que ainda se ancorava nas grades do mezanino.
Por fim, restou à mãe anunciar, carrancuda, que iam embora. Disse convicta de que estava mesmo desistindo. E talvez por isso o pequeno tenha, enfim, largado o corrimão, pondo-se a caminho da saída.
Mas a oportunidade saltou aos olhos da mulher, que num átimo calculou o custo de sair sem o exame, voltar outro dia, convencer o filho, correr o risco de repetir a cena etc. Ágil, ela catou seu pequeno como pôde e o arrastou para o portal dos horrores.
Não foram só gritos. O choro era de súplica, medo, terror, um misto de por-favor e como-pode?...
Só quem estava lá dentro poderia contar o que foi feito para tirar o sangue do menino. Mas foi feito.
Ao deixar a sala de coleta, a mãe era doce e amável, consolando seu pequeno e puxando algum papo para animá-lo.
Ele, com um presentinho indecifrável na mão, enxugava os olhos, triste e enfurecido, e respondia à mãe com um rosnado mais pesado que qualquer palavrão.
E aí? Você faria diferente com seu filho?
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Contardo Calligaris: "Qualquer pai adoraria ler"
Postado no Twitter em 1/4/11.


