Crianças mimadas e despóticas, produzidas em escala crescente, servem de munição para quem diz que está faltando palmada. Faltam limites, que nada têm a ver com palmadas (abordamos isso nas pgs. 43 a 60). Dar limites dá mais trabalho, exige discernimento, disposição, firmeza e respeito pela criança. Isso é o que funciona, mas requer um preparo que os pais dificilmente recebem em suas famílias e que não encontram nos guias de autoajuda. Para piorar, na era ilusionista do consumidor-rei, do conforto permanente e da satisfação imediata com 36 meses para pagar, é difícil optar por algo que exija mais empenho em vez de clicar na tecla Paft “quando a paciência acaba”. Depois, curte-se no Face aquele post tipo “obrigado mamãe pelas surras que fizeram de mim um homem digno” e sossega-se a consciência.
Argumentos e piadas
Assim como posts, não faltam bons argumentos contra essa lei incômoda. Preocupa, por exemplo, o fato de estarmos com ela recorrendo ao direito penal para forçar os pais a serem melhores pais. Cria-se assim mais uma grande demanda ao Judiciário, já assoberbado e moroso. Além disso, nosso aparato judicial tenderia historicamente a ser muito intrometido e abusivo quando trata dos domínios domésticos. Tem ainda o argumento de que o Brasil cria leis demais com educação de menos. E tem também as piadas - não intencionais, em alguns casos -, como a dos pais protestando por não poderem mais “educar” seus filhos, crianças abusando da proteção legal para extorquir mimos e presentes etc.
Filhos testam e irritam seus pais porque precisam


